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Eu gosto do primeiro ministro. Oiço tanta gente a dizer mal dele que às vezes penso que sou o único que gosta dele, mas pronto, isto não há nada como ser franco. Mas há coisas que não concordo com ele.
E não estou a falar de também ele não perceber nada de Cultura, embora ele tenha lamentado, na ultima campanha eleitoral, não ter investido mais na Cultura. Nem de a parte do governo dele que trata do Teatro não ter dado novamente este ano apoio ao Fatias de Cá —não, não me estou a chorar, eu até acho alguma graça a este autismo de fingirem que o Fatias de Cá não existe no que toca a atribuírem subsídios—, mas faz-me impressão que eles não percebam que, se atribuíssem um subsidio, mesmo pequeno, ao Fatias de Cá, como foi o caso, único, em 1998, da atribuição de um subsidio pontual para ajudar a montagem de “T de Lempicka”, que ainda por aí anda com mais de 200 apresentações (pronto, eu faço já a propaganda, é de 15 em 15 dias, aos sábados, no Palácio Sotto Maior na Figueira da Foz, pelas 17h17, e se quiserem saber mais coisas telefonem para o 960 303 991 que o novo site está quase pronto mas ainda demora um bocadinho) mas, dizia eu, faz-me impressão que eles ainda não tenham percebido que atribuir um subsidio ao Fatias de Cá seria uma forma de começar a dar a volta ao tráfico de influências e de outras coisas promovido por lobbies e máfias que bordejam o Ministério da Cultura (eu reconheço que a palavra “bordejam” tem uma conotação agressiva, quase de palavra malcriada, mas não me lembro de uma pior para descrever a coisa).
Mas se de Cultura não percebem muito, ao menos que tomem conta das suas próprias empresas, as chamadas públicas, particularmente neste fase em que a CP e as Estradas de Portugal e as Águas não sei de quê e a TAP e as etcæteras andam a dar prejuízo.
Eu dantes dizia mal dos dinheiros do futebol. Mas desde que soube que os milhões de euros que o Cristiano Ronaldo custou ao Real Madrid foram todos pagos com a venda de camisolas com o nome e o número dele e o emblema do clube, calei-me logo. Ele prejuízo não dá!
Agora as nossas empresas dão prejuízo? Porquê? Então mas os gestores públicos não saberão que quando há mais despesas que receitas, ou as primeiras têm de diminuir ou as segundas têm de aumentar? Eu tenho andado bastante de comboio e de avião e bem vejo que os comboios e os aviões têm andado cheios de gente, como acontece com os espectáculos do Fatias de Cá. Ora, se as receitas são relativamente altas e as empresas continuam a dar prejuízo, pelos vistos só há um ou dois caminhos possíveis: ou se diminuem as despesas ou se repartem os prejuízos. Tal qual como se faz no Fatias de Cá: os dinheiros que eu e outros como eu têm para receber, vão ficando em contas à espera de melhor dias. Contas essas que são diminuídas anualmente quando se têm de repartir os prejuízos. E é se queremos continuar a fazer teatro.
Será que um gestor público por outro não quererá vir fazer teatro no Fatias de Cá?

Carlos Carvalheiro
  Aquilo que se passou com o salvamento dos mineiros chilenos, foi fantástico. Toda a gente se conseguiu emocionar com a vontade e o engenho humano que permitiram que 33 pessoas sobrevivessem a uma clausura subterrânea de mais de 2 meses.
Era este mais ou menos o tom da conversa que a Laurita estava a ter comigo, quando íamos a caminho do almoço no intervalo das filmagens do “Sonho de uma Noite de Verão” que o Fatias de Cá e a Nacional Filmes estão a fazer na Mata dos Sete Montes, em Tomar. O Humberto, que vinha atrás, não se conteve e comenta: “Pois, toda a gente aplaude a ajuda dada aos 33 mineiros, que bem precisavam dela, mas depois ninguém se rala com os milhões que morrem de fome pelo mundo fora.”
Como se imagina estava dado o mote para mais uma discussão sobre a interesseirice dos jornais e das televisões que só se interessam por aquilo que dá audiência e daí até alguém chamar à mediatização do salvamento dos mineiros uma “hipocrisia” foi um instante, ainda por cima estava a televisão a dar o novo “big brother”, parece que tem imensa audiência, alguém se lembra de pedir ao Raul (sim, porque o almoço foi no Baía, onde aliás se come muito bem) para mudar para as notícias, as notícias estavam a dar umas coboiadas parecidas com o “big brother” com a rapaziada a buzinar por causa do pagamento das scut e a gnr a treinar com os colegas para prevenir manifestações contra a nato ou não sei o quê, o bacalhau entretanto chega, vamos a isto que o sol dura pouco e ainda é preciso filmar uma data de cenas, cafezinho e ala que se faz tarde, como se constata, os almoços do Fatias de Cá são animados…
E eu ia ouvindo e dei comigo a pensar numa coisa que me faz espécie desde miúdo: as plataformas das estações de comboio ou de metro estão apinhadas de pessoas que vão apanhar o transporte; se, de repente, quando o comboio está a entrar na estação, alguém empurrar as pessoas, pode causar vários mortos e feridos. Claro que não seria a primeira vez que este tipo de situações aconteceria, mas em relação aos diversos tipos de atentados contra a segurança das pessoas, constata-se que as estações de comboio e de metro são lugares onde as pessoas, apesar do enorme risco que correm, se sentem seguras.
E a questão é: porquê? Porque é que não se sentem ameaçadas (e ainda bem) numa situação potencialmente perigosa e depois clamam por segurança noutras circunstâncias bem menos arriscadas?
Eu tenho para mim que a resposta a este “porquê” se chama “interesse”. Só se faz, quer o bem, quer o mal, por interesse. Se soubermos motivar o interesse do outro, poderemos contar com o outro para fazer o que nos interessa. A raça humana é engraçada. E previsível.

Carlos Carvalheiro
     


16 de Outubro de 2010


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